Se você gosta de apreciar a animação da cidade enquanto come, vai adorar esses lugares
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Despachada e com seu costumeiro bom humor, a jornalista Alice Urbim se autodefine: “Eu sou rueira. Não dirijo. Ando a pé ou uso transporte público. Com isso, não tenho de pensar se dobro à direita ou à esquerda. Eu gosto é de viver a rua”.
A rueira de 68 anos é também uma profissional polivalente: foi uma das responsáveis pela reinauguração do Theatro São Pedro, pela implantação da TVCOM e também pela criação e execução dos projetos Curtas Gaúchos e Histórias Curtas, ambos da RBS TV, que resultaram no Núcleo de Especiais do canal, onde trabalhou por quatro décadas. Por conta de atividades como essas, tornou-se uma figura respeitadíssima no meio cultural da cidade.

Não por acaso, um dos seus pontos preferidos de Porto Alegre é o Centro Histórico, que guarda muito da cultura da capital gaúcha. “Aquele lugar sempre me enlouqueceu desde criança, apesar de eu nunca ter morado ali”, diz.
Em um texto que escreveu certa vez, Alice tenta explicar melhor esse encanto: “(...) quando estou na Rua da Praia ou na Borges de Medeiros, olho fixo para o céu com grande fascinação e exercito um olhar de realidade virtual. É emocionante descarrilar cada fachada de prédio, como se fôssemos um espião de janelas e sacadas nada discretas”.
Ainda no Centro, Alice conta que é habitué do restaurante Gambrinus, o mais antigo da cidade, que fica no Mercado Público. Fundado há 133 anos por uma confraria alemã, mudou de mãos nos anos 1960, quando foi comprado por uma família de portugueses – que, coincidentemente, construiu a casa em que Alice vive há quase 40 anos, no bairro Auxiliadora.
“É uma das minhas programações favoritas aos sábados: ficar na parte externa do restaurante, tomando um chope bem tirado, comendo bolinho de bacalhau e pastel de camarão, ouvindo os sons do Mercado e esperando pela mesa que eu gostaria que nunca liberassem lá dentro”, confessa.

A paixão pela rua está ligado ao amor que Alice tem por pessoas. “Eu gosto de lugar que tem gente, adoro movimento. Por que eu gosto de comer churrasco no Barranco? Porque tem gente. E não é somente quando estou em grupo de amigos ou com a família. Eu gosto da chegada, da comida, da saída, do garçom, da pessoa que a gente fala na outra mesa, de cumprimentar um amigo. Gosto até que caiam folhas na comida, porque as árvores estão batendo, e é lindo”, explica.
“O Barranco foi escolhido muitas vezes para celebrar aniversários. É um restaurante em que a gente comemora datas importantes, é a extensão da tua casa.”

Outro restaurante que, para Alice, tem a combinação perfeita de rua e movimento é o Chica Parrilla, no bairro Rio Branco. “Mas tem de ser mesa na rua. Nunca como na parte interna. Mesmo nos dias frios, eu adoro ficar na calçada. A gente se esquenta nos pelegos que eles colocam nas cadeiras, bate um solzinho e fica mais charmoso ainda”, conta.
O roteiro perfeito de um dia de Alice se encerra com cinema ou teatro, de preferência na Casa de Cultura Mario Quintana ou no Theatro São Pedro, instituição em que atualmente atua como vice-presidente da Associação de Amigos.
Fora os pontos da cidade, a própria casa da Alice já se tornou folclórica. Embora não esteja, obviamente, aberta à visitação pública, muitos porto-alegrenses a conhecem de ver em reportagens, já que ela mantém inúmeras coleções. “Minha casa é um parque temático”, define.