Oficinas literárias por Cíntia Moscovich

A premiada escritora dá a dica de lugares para quem deseja entrar no universo da prosa e da poesia


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Local

Oficina de Escrita Criativa

Rua Ernesto Paiva, 139 - Tristeza
Porto Alegre

Local

Oficina de Criação Literária

Avenida Ipiranga, 6.681 - Partenon
Porto Alegre

"A escrita e a leitura são atividades essencialmente solitárias... Já uma oficina de criação literária, ao contrário, é sempre um processo coletivo... E isso é bonito demais."

Cíntia dá aulas há 25 anos e, desde a pandemia, seus cursos são on-line

Última atualização em 05 de julho de 2023
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Cultura
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Cíntia Moscovich nasceu em Porto Alegre em 1958 e desde cedo se dedicou às letras e ao jornalismo. Já publicou ou participou do lançamento de mais de 20 livros e, em 2016, foi patrona da Feira do Livro de Porto Alegre. Entre as suas obras mais destacadas, estão a novela Duas iguais - Manual de amores e equívocos assemelhados e o livro de contos Anotações durante o incêndio, com os quais venceu o Prêmio Açorianos de Literatura. Com Essa coisa brilhante que é a chuva, conquistou os prêmios Portugal Telecom de Literatura e Clarice Lispector, da Fundação Biblioteca Nacional. 

Além de escrever livros, Cíntia se dedica à outra paixão: a Oficina do Subtexto, workshop de criação literária que ministra há 25 anos em Porto Alegre. “A escrita e a leitura são atividades essencialmente solitárias, que temos de fazer na mais absoluta solidão. Já uma oficina de criação literária, ao contrário, é sempre um processo coletivo, que só funciona na minha interação com os alunos. Isso é bonito demais”, conta. Ao final de cada curso, ela publica um livro com os melhores resultados dos meses de oficina.

Durante anos, o curso ocorreu em um salão da própria casa de Cíntia. Com a pandemia, os encontros presenciais foram substituídos por chamadas de Zoom – o que, por um lado, retirou a magia dos olhares e das trocas durante as aulas, mas, por outro, possibilitou que gente de todo o País pudesse cursar a oficina. O formato on-line deu tão certo que permaneceu, mesmo após o fim da necessidade de isolamento. Para compensar a falta das aulas presenciais, Cíntia costuma encontrar alguns grupos de alunos para tomar café, almoçar, jantar ou simplesmente para descontrair e falar sobre literatura e escrita. Os locais preferidos na cidade são a Churrascaria Barranco ou o Café Sabor de Luna. 

Para começar a escrever

Cíntia conta que quem a incentivou no meio literário foi Luiz Antônio de Assis Brasil, que há mais de 35 anos ministra um curso ligado à escrita criativa, o mais longevo do Brasil, na PUC do Rio Grande do Sul. Ele a estimulou a ficar ligada à universidade, fazendo especialização e mestrado na área de Criação Literária. E também disse uma frase que a escritora repete até hoje: “a gente envelhece, mas os alunos não”. Isso ela comprovou na prática. “Em mais de 25 anos de oficina, já tive alunos com 80, até 90 anos que demonstraram uma ânsia por aprender coisas novas e por escrever. Esse é o barato da oficina”, destaca. 

O efervescente ambiente literário em Porto Alegre proporcionou ainda o surgimento de outras oficinas de escrita, formando uma espécie de comunidade de escritores que compartilham seu saber com quem também quer ingressar no mundo das letras. Uma das mais antigas, que Cíntia gosta de recomendar é, obviamente, o curso de Assis Brasil, que acontece presencialmente na PUC. Outro que ela indica é o curso presencial ou on-line de Valeska de Assis, de desbloqueio para a escrita e crônica.

Para quem já definiu seu gênero de preferência, a indicação de Cíntia são as oficinas de Pedro Gonzaga, feitas pelo Zoom. Tradutor, poeta, escritor e doutor em Literatura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ele divide seu tempo entre as publicações e os alunos. Há anos criou uma série de cursos relacionados à escrita criativa direcionados ao público jovem e adulto. Mas uma de suas oficinas mais concorridas é a de poesia, na qual percorre a obra de oito autores que chama de “gigantes da poesia universal”, buscando entender seus mecanismos de composição e sua técnica. Ao compreender o que torna essas obras expoentes da literatura universal, Pedro conduz os aprendizes para que se apropriem dessas descobertas para criar a própria poesia, considerando o contexto pessoal de cada um. Ao longo de 16 encontros, poetas como T.S. Eliot, Adélia Prado e Fernando Pessoa são visitados.

Crédito de imagens: Arquivo_Pessoal