Jornalista e bailarina amadora, ela indica as melhores da cidade para quem quer se soltar e aprender balé ou outras modalidades
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Ela começou como a maioria das bailarinas, ainda criança: dançar era uma atividade complementar à escola. A mãe, que trabalhava fora e ainda cuidava de mais dois filhos, queria apenas que a menina hiperativa e sapeca gastasse um pouco da energia que ficava acumulada nos turnos inversos ao colégio. Foi assim que a dança entrou na vida da jornalista Mariana Bertolucci, 50 anos, para nunca mais sair. Bailarina amadora e apaixonada pelo balé clássico, ela se inspira nos passos para manter a forma e até para escrever.
Publicado em 2010 pela editora Libretos, o título de um dos livros de crônicas de Mariana faz referência justamente à dupla personalidade da jornalista – Bailarina sem breu reúne textos publicados no jornal Zero Hora e na internet. Para comentar fatos cotidianos, dilemas femininos e desafios da maternidade, a jornalista entra na pele da bailarina. Atualmente, Mariana coordena iniciativas independentes de comunicação, como a revista Bah, com versões impressa e digital. Segue dançando nas horas vagas e, sempre que pode, mescla as histórias do balé com os relatos do dia a dia.
“Hoje eu danço para ser feliz, me divertir e manter o corpo e a mente em equilíbrio. Aquela disciplina super-rígida deu lugar a momentos lúdicos e de grande significado”, comenta Mari, que estudou balé clássico na escola Lenita Ruschel, representante oficial do método inglês Royal Academy of Dance e que tem mais de 60 anos de tradição em Porto Alegre. Apesar de ter completado a formação e estar habilitada para dar aulas de balé, Mariana segue ligada à escola apenas como aluna.
Observadora atenta do circuito da dança na cidade, a jornalista aponta outras escolas que também cumprem o papel de formar bailarinos, seja para os corpos de baile dos teatros, seja somente para inserir a dança na vida de quem se dedica a esse hobby. Escolas como Ângela Ferreira Estúdio de Dança e Dullius Dance ensinam variadas modalidades de dança com pegada contemporânea, que atraem especialmente jovens e adultos que terão o primeiro contato com os passos. Já o Ballet Vera Bublitz, outra escola tradicionalíssima da capital gaúcha, ensina o balé clássico com o viés russo – bem diferente do estilo Royal Ballet, segundo Mariana.

Apesar de não dançar profissionalmente, Mari Bertolucci não dispensa os palcos. Pelo contrário! Espera ansiosamente pela oportunidade de participar dos espetáculos organizados pela escola. Sempre convocados para assistir a suas apresentações, os pais são os espectadores preferenciais a cada final de semestre nos concorridos shows. “Teve um ano que a minha mãe nem quis ir, disse que eu não levava jeito pra dançar. Veja se pode...”, diverte-se Mariana. Ela chega até a dar um pouco de razão à mãe. “Não sou boa em decorar as coreografias, nunca fui. Em compensação tenho um físico favorável, com muito alongamento e postura”, avalia.

Mais do que se apresentar e se exercitar, o balé na maturidade tem sido um ponto de encontro para velhas amizades, feitas ainda na tenra infância, justamente na sala de dança da escola Lenita Ruschel. Muitas das menininhas que se encontravam nas aulas da “Tia Lenita” seguem dançando juntas. Durante a pandemia, cada uma dançava em sua casa, conectadas pela internet. “São mais de 40 anos de amizade que se mantém viva graças ao balé. Cada encontro é mágico. Esse é o encanto da dança”, completa Mari.

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