A cidade oferece uma série de bares que estimula a cultura DJ e o convívio nas calçadas
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Rua, festa e música compõem o habitat do DJ Tom Nudes. Aos 31 anos, ele é um dos fundadores do coletivo Arruaça, que desde 2015 promove festas de rua em Porto Alegre. Também integra o coletivo Turmalina, formado em 2017 por DJs e produtores que reivindicam o protagonismo negro na música eletrônica.
Tom conhece como a palma da mão a cultura DJ de Porto Alegre – uma cena que vai muito além das casas noturnas. Atualmente, a capital gaúcha oferece um circuito de bares que concilia comidas e bebidas com discotecagem e agito nas calçadas.

“É uma forma de aproveitar a cidade e a cultura das ruas com ou sem grana. Enriquece a experiência urbana tanto para quem prefere os bares quanto para quem vai mais tarde para a boate, além de gerar trabalho para quem atua nessa cena”, destaca o DJ. “A troca é muito forte nesses bares. São conversas múltiplas entre a galera preta, LGBTQIA+, da periferia e da região central”, completa.
Tom propõe um roteiro de bares que, além de estimular a cultura DJ, é liderado por mulheres. O primeiro deles é o Trago Boas Novas, localizado na Praça Conde de Porto Alegre, no Centro Histórico. “É a antiga entrada da cidade. Um lugar urbaníssimo, com ônibus passando, viaduto, trabalhadores do Centro, e tem o envolvimento do Malásia, uma persona da cultura DJ da cidade”, destaca Tom, ressaltando a participação de um dos colaboradores do bar idealizado por Greice Bussolo.
Caminhando alguns minutos em direção à Cidade Baixa, o segundo endereço do itinerário é o La Calle Empanadas y Bar, capitaneado pelas irmãs Laura e Luísa Fernandes. “Essas manas estão apostando muito na cultura DJ, de forma muito fofa, com os DJs tocando de dentro do bar, junto a uma janelinha que dá pra rua. O som vai pra calçada e também chega a outros bares”, descreve Tom, destacando a relação do La Calle com a cultura hip-hop como um todo, incluindo o grafite, que cobre toda a fachada do bar. “É a cultura urbana reverenciada.”

O Osvaldo Bar, no Bom Fim, é a terceira dica de Tom: “Desde que iniciou, o Osvaldo vem com a proposta de valorização da cultura DJ. A curadoria da Cecília Capovilla é fora de série, mescla DJs que atuam há mais tempo com os mais novos, e conversa com a cultura de rua como um todo, incluindo o Carnaval”.
Aberto no final de 2022, o Pito, no bairro Rio Branco, é outro lugar admirado e frequentado por Tom. O bar concebido por Ariane Andrade, Camila Braz e Luisa Nora combina pratos criativos, resgate de drinques clássicos pouco explorados e muito som. “As gurias estão conversando com pessoas essenciais da cultura DJ da cidade, é muito bonito de ver. A curadoria inclui uma galera das antigas, e ainda tem bons drinques e um rango massa”, observa o DJ.
O percurso boêmio-musical de Tom termina na Cidade Baixa, no Bar da Carla, liderado por Carla Soares e pela filha Caroline Oliveira. “É um lugar de resistência em um território negro da cidade. Reúne uma galera de peso, DJs pretos de Porto Alegre e conversa com o som eletrônico de ontem e hoje”, afirma Tom, ainda empolgado com um baile charme que se formou na calçada do Bar da Carla dias antes do papo com o Guia da Vizinhança.

Créditos de imagem - Destaque: Instagram_TomNudes | Retrato e feed: Arquivo Pessoal