Experiências
Rodas de samba, blocos de rua, fanfarras e escolas de samba compõem um circuito cultural animado e democrático
Todos os lugares dessa seleção para você conhecer melhor por aqui
A cultura do samba já vinha ganhando força e ampliando territórios nos últimos anos em Porto Alegre. Mas, depois da pandemia, esse espírito do ziriguidum teve maior impulso. Talvez porque, após tanto tempo resguardadas em casa, as pessoas sintam a enorme necessidade de sair e se encontrar ao som do samba, que é uma música que combina com alegria.
O mais curioso é que esse desejo não tem sido restrito apenas na véspera do Carnaval, quando se intensificam os ensaios nas quadras das escolas de samba, nem durante a folia, quando o público se esbalda nos blocos de rua. Entre os porto-alegrenses, há um público bastante fiel que tem buscado o espírito carnavalesco fora de época em rodas de sambas e bares em que as batucadas são a principal atração da casa.

Fato é que, nos últimos anos, grupos como o Instituto Brasilidades e a Central do Samba têm promovido rodas de samba em lugares tão variados quanto o Parque Marinha do Brasil, o Espaço Cultural 512 e a Rua Conselheiro Camargo, em frente ao Bar Agulha. No Viaduto Otávio Rocha, cartão-postal do Centro Histórico, o Bar Tutti Giorni realiza o Samba da Escadaria, animando toda a região próxima ao bar.
Destaque também para a ocupação musical da Travessa dos Venezianos promovida pelo Butcher Pizza Bar, na Cidade Baixa, e as noites de samba do Estreito da Chosen, no Bom Fim.
Próximo à Orla do Guaíba, o Boteco do Paulista é outro lugar amado pela turma sambista-carnavalesca, levando multidões à esquina das Ruas Riachuelo e General Salustiano, junto à Praça Júlio Mesquita – também conhecida como Praça do Aeromóvel. Outro ponto tradicional é o Boteko do Caninha, no bairro Santana, um dos bares mais conectados com a cultura do samba da capital gaúcha.
Esses e outros espaços dão continuidade à tradição de lugares como a Banda Saldanha – casa de shows e bloco de Carnaval –, que recebe desde artistas locais, como a cantora Pâmela Amaro, até lendas da música nacional, como a diva Leci Brandão.
Falando em redutos da cultura negra, o Afro-Sul Odomodê também é parada obrigatória, conectando Porto Alegre a diversas manifestações da música e dança de matriz afro-brasileira. Grupos variados circulam por esse itinerário, incluindo o Samba de Rolê, um dos mais queridos dos porto-alegrenses com samba no pé, e a Caçamba, que exalta o protagonismo feminino de suas instrumentistas.
Impossível falar de samba e não falar de Carnaval – ou melhor, Carnavais, no plural – ao longo dos 365 dias do ano. As quadras da Imperadores do Samba e da Praiana recebem o público em ensaios e apresentações das escolas, acolhendo também eventos de outros artistas.
Vale destacar as trocas das escolas de samba com blocos de rua e batucadas como a Turucutá, coletivo formado por bandas e alunos de uma oficina de percussão. Essas parcerias aproximam diferentes públicos e tradições carnavalescas, levando foliões dos blocos para os desfiles do Complexo Cultural do Porto Seco e sambistas das escolas que se somam aos cortejos pelas ruas da cidade.
O maior exemplo da onda do Carnaval de rua de Porto Alegre – que cresce há cerca de uma década em todo o País – é o Bloco da Laje, com saídas que reúnem milhares de pessoas e ensaios abertos animadíssimos. Você talvez já tenha brincado na Laje ou certamente já viu posts de quem participou da festa, mas existem dezenas de outros blocos e fanfarras na cidade, como Avisem a Shana Que Vai Chover, Axé Que Enfim, Bloco do Beijo, Cosmobloco, La Meteorae Não Mexe Comigo Que Eu Não Ando Só.
Mesclando instrumentos – especialmente sopros e percussão – com performances que envolvem dança, vozes, estandartes e muita extroversão, esses grupos agitam espaços públicos, eventos e casas de shows ao longo das quatro estações do ano.
No outono, o festival Honk!Poa reúne os principais blocos e grupos de samba da cidade, além de coletivos de outros estados, em uma celebração da ocupação festiva e democrática das ruas.
Destaque: Instagram_Bloco da Laje | Feed: Instagram_Instituto Brasilidades | Galeria: Instagram_Eu não ando só & Instagram_Bloco da Laje