O vinicultor revela onde encontrar esse tipo de bebida que usa uvas cultivadas sem produtos químicos e é fermentada espontaneamente
Todos os lugares dessa seleção para você conhecer melhor por aqui
Em 2010, o então beer hunter (especialista em cerveja) Diego Cartier foi a Bruxelas explorar o universo das cervejas lambic, produzidas por meio de um processo ancestral de fermentação espontânea que utiliza leveduras selvagens – presentes no próprio ambiente de produção, sem a introdução de linhagens selecionadas. À medida que visitava bares e restaurantes da capital belga, Diego teve os primeiros contatos com outra bebida, muito similar ao estilo lambic.

“Eu encontrava vinhos naturais franceses em todo lugar que visitava. Desde então, volto pra casa com malas cada vez mais cheias de vinhos, e não de cervejas”, recorda Diego, que em 2018 fundou a Vivente, vinícola criada em sociedade com Micael Eckert, que, segundo ele, une a paixão pelos vinhos naturais com o desejo de estar mais conectado à natureza.
Mas, afinal, o que são vinhos naturais? “São vinhos que utilizam uvas cultivadas sem uso de agrotóxicos, pesticidas, fungicidas ou fertilizantes. Além disso, a vinificação busca a mais pura expressão da uva, fermentada espontaneamente por leveduras selvagens, sem uso de produtos enológicos”, explica Diego. O resultado são vinhos com sabores e aromas muito particulares, que escapam às padronizações hegemônicas da vinicultura.

Os vinhos naturais são produzidos a partir de uvas orgânicas, em muitos casos, cultivadas de forma biodinâmica – método agrícola que segue preceitos de inter-relação entre os organismos. Para que sejam considerados naturais, contudo, é necessário que a vinificação também seja realizada sem uso de produtos químicos.
“É um caminho sem volta. As pessoas estão mais preocupadas com o que ingerem e a sustentabilidade. Quem tem a oportunidade de experimentar um vinho natural bem-feito dificilmente volta para o convencional”, observa Diego, destacando que os principais restaurantes do País dedicam um olhar atento aos vinhos naturais por conta de sua vocação gastronômica – a experiência sensorial ampla que eles proporcionam implica um imenso potencial para a harmonização.
“Essa tendência reflete o que os melhores restaurantes do mundo fazem há mais tempo em suas cartas”, ressalta Diego. “Em Porto Alegre, o Capincho foi pioneiro em levantar a bandeira dos vinhos naturais. A carta elaborada pela Flávia Mu [sócia do restaurante] é muito consistente e reflete o perfil cosmopolita do restaurante”, completa.
Outro exemplo citado por Diego é o Bottega Maria, inaugurado em 2022 no bairro Rio Branco. “A cidade estava precisando de uma proposta italiana com olhar mais contemporâneo e sofisticado. A carta de vinhos naturais dessa trattoria é a mais ampla de Porto Alegre.”
Para quem deseja degustar vinhos naturais em casa, Diego recomenda a Casa Vivá, no Moinhos de Vento, considerada por ele “a Meca do vinho natural no Brasil”. Outra dica é a Sommelier Vinhos. “A oferta é ampla, com muitos vinhos convencionais, mas o espaço dos naturais vem crescendo e é possível encontrar algumas pérolas da vinificação natural”.
Créditos de imagem - Destaque: Instagram_Vivente Vinhos | Retrato: Arquivo Pessoal | Feed: Instagram_Vivente Vinhos & Arquivo Pessoal