O baterista da banda Nenhum de Nós e sommelier de cervejas indica bares que servem a bebida produzida no local
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A ligação do porto-alegrense Sady Homrich com a parte Sul do Rio Grande é quase tão forte quanto com sua cidade natal. “Meus pais vieram de Pelotas em 1953”, lembra o baterista da banda Nenhum de Nós, que morava com a família no Centro Histórico de Porto Alegre, pertinho da Catedral Metropolitana, mas passava as férias de verão e inverno na infância e adolescência na praia pelotense do Laranjal.
Na capital gaúcha, o músico e engenheiro químico já morou na Cidade Baixa e atualmente vive no Menino Deus. A região central de Porto Alegre ocupa lugar de destaque em seu afeto. “Estudei no Colégio La Salle Dores e aprendi a curtir aquele entorno. Da Rua da Praia ao Alto da Bronze, da escadaria da Fernando Machado até a Praça da Matriz.”
Mas o carinho de Sady pela cidade se estende também a outras partes. “Quando pequeno, eu ia tomar banho de praia na Pedra Redonda e até hoje frequento o Acampamento do Engenheiro lá. E sou mais Redenção do que Parcão! Curto muito morar em Porto Alegre, gosto de caminhar pelo Centro, pedalar na orla, dar uma banda de carro na Zona Sul, viver a noite na Cidade Baixa. Bares tradicionais como Tuim e Odeon também fazem parte do meu roteiro, assim como a farta oferta de cervejas artesanais em vários pontos da cidade”. A cerveja artesanal, aliás, é outra das paixões do batera, ao lado da música e da gastronomia: sommelier e homebrewer (que é como se chamam cervejeiros artesanais) desde 1983, Sady já escreveu sobre o tema em revistas, sites e jornais como Folha de S. Paulo, e atualmente assina a coluna Palavra de Burgomestre na Revista da Cerveja.
Característica da boemia porto-alegrense há alguns anos, a cerveja artesanal tem por aqui longeva tradição ligada aos alemães. Em 1890, existiam 12 cervejarias artesanais inauguradas por imigrantes em Porto Alegre. Também no século 19, eles abriram bares e restaurantes típicos. E, nas últimas duas décadas, essa tradição ganhou impulso com a proliferação de cervejarias e microcervejarias.
As cervejas artesanais e especiais popularizaram-se entre os porto-alegrenses, liderando um movimento que se espalha por todo o Rio Grande do Sul – o Estado concentra o maior número de fábricas da bebida no País. De acordo com a Associação Gaúcha de Microcervejarias (AGM), Porto Alegre é o município com maior quantidade de marcas de cervejas do Brasil, com quase 1,6 mil produtos, sendo a segunda cidade brasileira com mais cervejarias: eram 43 estabelecimentos registrados até novembro de 2022, grande parte delas nos bairros do Quarto Distrito, na Zona Norte.
Com tanta oferta, fica difícil escolher qual cerveja beber e onde. Acompanhando a produção crescente, a quantidade de bares, pubs e lugares especializados também aumentou exponencialmente nos últimos anos. Mas qual é a melhor cerveja, afinal de contas? “A melhor cerveja é aquela que você gosta”, responde Sady Homrich com sabedoria zen.
O especialista explica que quem curte o paladar amargo deve preferir a IPA. Se procura algo mais refrescante, a dica é degustar uma Pilsen, uma belga Witbier ou uma alemã Weiss. Já os que querem uma experiência diferente podem provar uma Red Ale maltada ou uma Stout puxada nas notas de café ou chocolate.
Um dos grandes conhecedores e entusiastas desse tsunami cervejeiro local, Sady indica quatro cervejarias de Porto Alegre onde você pode apreciar o produto na própria fonte – “que é onde melhor se degusta a cerveja”, ensina o mestre. Apenas uma porta de entrada para a variada e irresistível chopelândia da capital gaúcha.
Entre as preferidas estão a Bier Markt. “Eles mantêm um cardápio que oferece cervejas locais, em sua maioria, e alguns ícones mundiais, cada vez mais raros nas torneiras porto-alegrenses”, explica Sady.
Ele conta que outro ponto legal para quem é cervejeiro é ver a fabricação enquanto bebe. Por isso, gosta da matriz da 4Beer, em São Geraldo, onde produzem as cervejas. “É uma visita imperdível, porque possui 35 torneiras saídas diretamente da câmara fria”, conta o mestre cervejeiro.
No Hidden Brewpub, outra cervejaria que recomenda, ele diz que, apesar de o lugar ser especializado em lagers, todo mundo deveria encerrar a degustação com a Barley Wine. “É, literalmente, 'vinho de cevada': uma cerveja complexa, licorosa e bastante frutada. E acompanha bem queijos de sabor intenso e sobremesas como crème brûlée”.
Já na Ninkasi, ele sugere provar a Incendiária e a Filipina, duas cervejas fortes da Sapatista.
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