Taxa Selic e imóveis: como os juros altos interferem no mercado imobiliário?

Efeito dos juros vão além do financiamento e podem deixar imóveis mais baratos e aluguel mais atrativo; entenda

Por Redação - 05/10/2022 às 09:00
Atualizado: 23/05/2025 às 15:17
A imagem mostra a vista com prédios e casas no fim de tarde com o pôr do sol.
  • A taxa Selic, referência básica de juros do Brasil, eleva os custos de financiamento imobiliário e reduz a demanda por compra de imóveis quando atinge patamares altos, como os 14,75% ao ano registrados em maio de 2025.
  • Juros elevados aumentam a concorrência entre investimentos imobiliários e renda fixa, já que títulos públicos oferecem retornos superiores aos aluguéis, mas imóveis preservam valor contra inflação no longo prazo.
  • Cenários de juros altos criam oportunidades para compradores à vista, pois reduzem a demanda por crédito imobiliário e podem diminuir preços de venda, enquanto estimulam a procura por aluguel entre quem adia a compra.
Resumo supervisionado por jornalista.

A taxa Selic é um importante indicador para qualquer um envolvido com o mercado imobiliário, seja investidor, inquilino ou comprador da casa própria.

Isso porque ela é a taxa básica de juros do país, e serve de referência para todas as operações de empréstimos e investimentos no Brasil.

Além de influenciar diretamente as taxas de financiamento imobiliário, a Selic mexe com uma série de variáveis da economia que podem, inclusive, trazer boas oportunidades para quem investe em imóveis.

Neste artigo, explicamos o que é a taxa Selic e como ela atua sobre o mercado imobiliário.

Navegue pelo conteúdo:

O que é a taxa Selic?

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Isso significa que é ela que define, direta ou indiretamente, a remuneração dos títulos públicos emitidos pelo Governo Federal, considerados os investimentos mais seguros do mercado.

Em outras palavras, a Selic pode ser traduzida como “o retorno que todo investidor poderia obter sem correr grandes riscos”.

Por esse motivo, ela é referência para empréstimos e investimentos de maneira geral. Assim, o valor da Selic interfere em cascata, especialmente em duas operações financeiras:

  • O custo dos empréstimos e financiamentos em geral;
  • A remuneração da renda fixa.

Afinal, quem empresta seu dinheiro vai exigir muito mais do tomador de empréstimo se ele puder obter bons ganhos sem correr riscos.

O objetivo mais comum desse aumento é o de controlar a inflação, restringindo a oferta de dinheiro.

Por outro lado, uma restrição exagerada tende a frear a atividade econômica e levar o país à recessão. A tarefa do Copom (órgão do Banco Central que define a Selic) é, portanto, equilibrar o estímulo à economia e o cuidado com a alta de preços.

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Os juros estão altos agora? Quanto é a taxa Selic hoje?

Em maio de 2025, a taxa Selic está em 14,75% ao ano.

Este é o maior patamar para a os juros brasileiros desde 2006, ou seja, podemos dizer que, no momento, os juros estão muito altos.

Boa notícia para quem investe em renda fixa, pois obtém retornos maiores. Má notícia para quem faz empréstimos e financiamentos, pois o custo aumenta.

Como a taxa Selic e os imóveis se relacionam?

Embora os juros tenham efeito sobre toda a economia, a taxa Selic e os imóveis possuem uma relação ainda mais próxima.

Além de o mercado imobiliário depender dos financiamentos, a oferta de crédito e o desempenho da economia estão diretamente ligados à renda e à capacidade de compra ou aluguel de uma casa ou apartamento.

Abaixo, listamos os principais pontos em que a Selic pode interferir no mercado de imóveis:

1. Os juros do financiamento imobiliário sobem junto com a Selic

Quando a taxa básica de juros está alta, os juros de todos os empréstimos concedidos no país tendem a subir, embora essa correlação não seja proporcionalmente perfeita.

No caso do financiamento imobiliário, há mais um fator que une as duas coisas: boa parte do crédito oferecido pelos bancos vem da poupança, cuja remuneração está diretamente atrelada à taxa Selic.

Para efeito de comparação, no início de 2021 a taxa Selic estava em 2% a.a. e, agora, está em 14,75% ao ano.

A média dos juros imobiliários, no mesmo período, passou de cerca de 7% para mais de 11%. Percebe-se, portanto, que há uma relação, mas ela não é diretamente proporcional.

Em resumo, portanto, os juros altos tendem a encarecer a compra de imóveis financiados.

2. Maior “concorrência” para quem investe pensando em alugar

Quando a taxa Selic está em alta, o investidor de imóveis que preza pela geração de renda através de aluguéis costuma ter uma grande interrogação na cabeça.

Afinal, com o governo pagando 14,75% a.a. (mais de 1% ao mês) é de se pensar se compensa manter o patrimônio alocado em um imóvel ou se é melhor deixar esse dinheiro no Tesouro Direto ou na renda fixa.

Isso porque os aluguéis, em média, devolvem algo próximo de 0,5% a.m. (cerca de 6% ao ano), sem considerar os ganhos com a valorização da propriedade.

Mas pensar apenas nesse fator pode ser uma armadilha – e nós vamos explicar o porquê mais abaixo.

3. Imóveis protegem investidor da inflação, a razão de ser da Selic

Como mostramos anteriormente, o aumento da taxa Selic tem como principal objetivo conter a inflação.

Nesse contexto, os imóveis podem ser considerados um porto seguro, já que, como ativos de valor real, tendem a preservar o que os torna úteis ao longo do tempo – e são menos voláteis do que ativos financeiros.

Além disso, embora não estejam diretamente correlacionados com a inflação, os imóveis tendem, no longo prazo, a preservar valor para seu proprietário.

Desconsiderar a valorização do próprio imóvel é, portanto, negligenciar as finanças. E a soma entre valorização e aluguel, combinada com segurança, ainda é muito mais atraente para a maioria dos investidores.

Leia mais: Como valorizar um imóvel?

4. Juros altos estimulam a demanda pelo aluguel

Imagine a situação de quem estava buscando um imóvel para comprar e se deparou com juros altos.

Com o financiamento mais caro, a tendência é que muitas pessoas adiem esse negócio para um momento de condições econômicas mais favoráveis. Isso poderia, por exemplo, ampliar a demanda por imóveis para aluguel.

5. Oportunidade para quem pode comprar à vista

Financiamentos mais caros tendem a restringir a demanda pelo crédito imobiliário, o que, naturalmente, dificulta a venda de muitos imóveis.

No médio e longo prazos, isso pode favorecer o investidor que tem condições de adquirir imóveis à vista, já que, em cenários menos efervescentes, é natural que o preço de venda de alguns imóveis possa diminuir.

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Selic e imóveis: o que fazer diante da variação dos juros?

A queda ou a alta da taxa de juros não deve levar o investidor de imóveis a tomar decisões bruscas, especialmente aquele que já possui várias propriedades e que opta pelos imóveis por conta de sua segurança e preservação de valor.

Afinal, os juros tendem a oscilar em ciclos de poucos anos e a compra de um imóvel costuma ser uma decisão de longo prazo, que não deve ficar refém das oscilações da Selic, que é debatida a cada 45 dias.

Além disso, não vale a pena abrir mão da autonomia em gerir o próprio patrimônio.

Por outro lado, é uma perda financeira considerável ficar com o imóvel parado, sem rentabilizar.

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Dúvidas mais comuns

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central. Ela representa o retorno que todo investidor poderia obter sem correr grandes riscos, servindo como referência para empréstimos, financiamentos e investimentos em geral. A Selic interfere em cascata no custo dos empréstimos e na remuneração da renda fixa, sendo seu principal objetivo controlar a inflação restringindo a oferta de dinheiro.

Quando a Selic está baixa, o crédito fica mais barato e acessível, estimulando a compra de imóveis e ampliando a possibilidade de financiamento. Quando a Selic está alta, o crédito fica mais caro porque os bancos captam o dinheiro a taxas maiores e repassam esse custo em juros mais elevados, dificultando o acesso ao financiamento imobiliário. Portanto, é mais vantajoso comprar com a Selic baixa, embora investidores com capacidade de compra à vista possam encontrar oportunidades em cenários de juros altos.

Quando a Selic sobe, os juros de todos os empréstimos, incluindo os imobiliários, tendem a aumentar. Isso ocorre porque boa parte do crédito oferecido pelos bancos vem da poupança, cuja remuneração está diretamente atrelada à taxa Selic. Por exemplo, quando a Selic passou de 2% ao ano (início de 2021) para 14,75% ao ano (maio de 2025), os juros imobiliários subiram de cerca de 7% para mais de 11%, demonstrando que há uma relação direta, embora não perfeitamente proporcional.

Em maio de 2025, a taxa Selic está em 14,75% ao ano, o maior patamar desde 2006. Essa alta de juros torna o financiamento imobiliário mais caro, reduzindo a demanda por compra de imóveis e aumentando a procura por aluguel. Por outro lado, é uma boa notícia para investidores em renda fixa, que obtêm retornos maiores, criando uma maior concorrência para quem investe em imóveis para aluguel.

Quando os juros estão altos, o financiamento imobiliário fica mais caro, levando muitas pessoas a adiar a compra de imóvel para um momento com condições econômicas mais favoráveis. Essa situação amplia a demanda por imóveis para aluguel, já que pessoas que não conseguem acessar financiamento precisam buscar alternativas de moradia. Assim, juros altos estimulam indiretamente a demanda pelo mercado de aluguel.

Imóveis são considerados ativos de valor real que tendem a preservar sua utilidade ao longo do tempo e são menos voláteis do que ativos financeiros. Embora não estejam diretamente correlacionados com a inflação, os imóveis preservam valor no longo prazo e ainda geram renda através de aluguéis. A combinação entre valorização do imóvel, renda de aluguel (em média 0,5% ao mês ou 6% ao ano) e segurança continua sendo mais atraente para a maioria dos investidores do que apenas renda fixa, mesmo quando a Selic está alta.

Investidores não devem tomar decisões bruscas baseadas apenas nas oscilações da Selic, que é debatida a cada 45 dias, pois os juros tendem a oscilar em ciclos de poucos anos. A compra de imóvel deve ser uma decisão de longo prazo que não fica refém dessas variações. Para quem já possui imóveis, é importante não deixá-los parados sem rentabilizar. Quem tem capacidade de compra à vista pode aproveitar cenários de juros altos para adquirir imóveis com preços potencialmente menores, já que a demanda reduzida pode favorecer negociações.

A Selic afeta diretamente a capacidade de compra das famílias ao influenciar o custo do financiamento imobiliário. Quando a Selic está alta, o crédito fica mais caro e o acesso das famílias diminui, reduzindo a demanda por compra de imóveis. Inversamente, quando a Selic cai, o crédito barateia, estimulando a compra de imóveis e ampliando a acessibilidade do financiamento para um maior número de pessoas, facilitando o acesso à moradia própria.


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