Ágio de apartamento: o que é, como funciona e como deve ser feita a compra e venda

Fazer o ágio de apartamento pode ser a alternativa para quem quer vender o imóvel sem ter quitado o financiamento imobiliário.

Por Redação - 03/08/2022 às 19:38
Atualizado: 25/04/2026 às 20:27
pessoas ao redor de uma mesa analisando um papel sobre ágio de apartamento
  • Ágio de apartamento é a venda de um imóvel ainda sob financiamento, onde o comprador assume o saldo devedor restante e o vendedor recebe a diferença entre o valor de venda e o que ainda falta pagar.
  • O cálculo do ágio depende da valorização do imóvel no mercado menos o saldo devedor do financiamento, podendo gerar lucro ou prejuízo conforme as condições econômicas e a localização do imóvel.
  • A transação exige formalização em cartório com anuência da instituição financeira para evitar riscos legais, pois o vendedor permanece responsável pelas dívidas até a quitação total do financiamento.
Resumo supervisionado por jornalista.

Financiar um imóvel próprio é uma das opções mais acessíveis para vários brasileiros. Só que, para quitar a propriedade, pode-se levar anos. E, nesse meio tempo, é comum aparecer oportunidades de venda do imóvel.

Essa negociação é conhecida como ágio de apartamento e consiste no fato de vender um imóvel financiado sem quitá-lo completamente. Ou seja, você pode comprar ou vender um imóvel que está sob financiamento imobiliário, desde que faça todo o processo de acordo com as leis.

Se você está pensando em comprar ou vender um apartamento financiado, que ainda não foi quitado, continue conosco e entenda o funcionamento desse processo!

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O que é ágio de apartamento e como ele funciona?

Imagine essa situação: você realizou o sonho do apartamento próprio em 2010, e a forma de pagamento escolhida foi o financiamento imobiliário. Na época, seu bairro era novo e um pouco afastado. 

Mas agora, como a cidade cresceu, o bairro tem toda uma infraestrutura com supermercados próximos, farmácias, hospitais e isso valorizou bastante os imóveis da região.

Ou seja, se você comprou seu imóvel por R$230 mil, hoje ele está valendo R$300 mil. Nesse sentido, você recebe uma oferta de um comprador, disposto a pagar os 300 mil reais que vale seu apartamento. 

Leia também: Valorização de imóvel: o que define e como calcular

Assim, cabe a você analisar o mercado e ver se o negócio compensa. Em caso positivo, ainda que a quitação não tenha sido feita, é possível vender o apartamento. 

E, essa ação de vender um imóvel sem quitar o financiamento do mesmo, se chama ágio de apartamento. 

Ou seja, você venderá o ágio para outra pessoa. Assim, o preço já pago do financiamento é somado aos débitos que ainda precisam ser pagos. Nesse sentido, o comprador pagará para você o que já foi quitado e assumirá o restante das dívidas do financiamento.

Lembrando que a transferência do apartamento para o novo proprietário só será concluída após o término do financiamento, que é quando os bancos e instituições financeiras atualizam a matrícula do imóvel

Para se fazer um ágio é preciso ter muita confiança no comprador ou vendedor e seguir a legislação para não cair em golpes. Ao fechar a negociação do ágio, o proprietário deve transferir a titularidade, mas ela só será efetivada após o término do financiamento. 

Leia Também: Saiba como usar o FGTS para comprar um imóvel

Como calcular o ágio de imóvel?

Antes de vender ou comprar um imóvel por ágio é necessário analisar a situação e calcular qual seria o lucro obtido pela negociação. 

Por exemplo: você fez um financiamento de R$ 300 mil e até hoje já quitou R$ 100 mil. Desse modo, por causa da infraestrutura da localização, ou por correção monetária contratual, o seu imóvel valorizou. 

É preciso estudar o mercado e saber realmente quanto esse imóvel vale e quais as vantagens para o atual proprietário, pois, nesta situação, ele provavelmente vai sair lucrando.

E é importante lembrar que nem sempre o ágio gera lucro. Por exemplo, você financiou R$ 200 mil e já quitou R$150 mil, mas sua família cresceu e você precisa se mudar rápido para outro local. 

Além disso, precisa do dinheiro para comprar ou dar entrada em outro imóvel. E, nesse meio tempo, seu imóvel desvalorizou por vários motivos. Assim, você pode vender seu imóvel por, no mínimo, R$ 150 mil e se mudar com maior agilidade.

Ou seja, nesse caso, o ágio não teve lucro, mas foi o que o proprietário precisava no momento.

Por isso, é importante contar com a ajuda de um corretor de imóveis que entende do assunto para saber se vale a pena fazer a transação.

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Como funciona a venda de um ágio de apartamento?

Para fazer a venda de um ágio é preciso tomar alguns cuidados. É necessário entender que quem está vendendo não é o dono, ele apenas pagou uma parte do imóvel. Além disso, o que está à venda não é a propriedade, mas sim o direito de ser dono dela.

Com isso em mente, é necessário que o vendedor saiba que dificilmente ele conseguirá fazer outro financiamento imobiliário, pois, até que o financiamento em questão seja quitado, ele não terá mais direito a crédito nessa instituição financeira.

Como o comprador terá que assumir o financiamento, ambos devem fazer um contrato e registrá-lo em cartório descrevendo a negociação. Outro ponto importante é procurar a instituição financeira, avisar da venda do ágio e ver o que eles podem fazer para o novo comprador.

Vale lembrar também que, caso o novo comprador deixe de pagar parcelas ou impostos como o IPTU, o responsável pelas dívidas ainda é o vendedor, mesmo que ele tenha em mãos o contrato de gaveta da negociação.

Nesses casos, o vendedor deve recorrer à justiça e comprovar a venda do ágio. Além disso, o novo comprador pode vender o ágio novamente dificultando a quitação do financiamento.

Qual o risco de comprar um ágio?

Como apontado anteriormente, antes de comprar um ágio, é necessário saber se toda a negociação é segura. Para isso, é necessário oficializar em cartório a compra e venda do ágio do imóvel e não fazer um contrato de gaveta (não oficial) sem registro. 

Além disso, o recomendado é fazer a negociação com a anuência do agente financeiro que fez o financiamento do imóvel — ou seja, ir até o banco ou instituição financeira que fez o financiamento e oficializar a negociação.

É importante frisar que podem acontecer mudanças em relação ao financiamento, pois todo o processo e valores das parcelas são feitos a partir do perfil do vendedor. 

Assim, se a pessoa que for comprar o ágio não conseguir comprovar o pagamento do valor da parcela, pode ser que o banco não aceite a proposta ou diminua o valor, mas aumente a duração do financiamento.

O mesmo pode acontecer quando o novo comprador tiver um perfil de crédito maior que o do proprietário atual. Desse modo, o banco pode aumentar o valor da parcela e diminuir a duração do financiamento.

Fazendo isso, a negociação é mais segura e justa para ambos os lados.

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Dúvidas mais comuns

Ágio de apartamento é a venda de um imóvel que ainda está sob financiamento imobiliário, sem que o financiamento tenha sido completamente quitado. Nesse processo, o comprador paga ao vendedor o valor já quitado do imóvel e assume o restante das dívidas do financiamento junto à instituição financeira. É uma prática comum quando há valorização do imóvel ou quando o proprietário precisa se desfazer do bem antes de terminar de pagá-lo.

Para calcular o ágio, é necessário analisar o valor atual do imóvel no mercado e subtrair o saldo devedor do financiamento. Por exemplo, se você financiou R$ 300 mil e já quitou R$ 100 mil, o saldo devedor é de R$ 200 mil. Se o imóvel está valendo R$ 350 mil no mercado atual, o ágio seria de R$ 150 mil (R$ 350 mil menos R$ 200 mil). É importante contar com a ajuda de um corretor de imóveis para avaliar corretamente o valor de mercado e determinar se a transação é vantajosa.

O principal risco para o comprador é não oficializar a transação em cartório, deixando apenas um contrato de gaveta (não oficial). Além disso, se o novo comprador deixar de pagar as parcelas do financiamento ou despesas como IPTU, o vendedor original pode ter seu nome inscrito no Serasa ou ser réu em ação de execução fiscal, com seus bens penhorados. Por isso, é fundamental que a negociação seja feita com anuência do banco ou instituição financeira que fez o financiamento original.

Ao vender um ágio, é essencial: (1) fazer um contrato oficial registrado em cartório, não apenas um contrato de gaveta; (2) comunicar a instituição financeira sobre a venda e oficializar a negociação com o banco; (3) ter consciência de que você não será mais dono do imóvel até que o financiamento seja quitado; (4) lembrar que o novo comprador pode vender o ágio novamente, dificultando a quitação do financiamento. Também é importante saber que dificilmente conseguirá fazer outro financiamento imobiliário enquanto este não for quitado.

Quando o novo comprador assume o financiamento, o banco pode fazer alterações nas condições originais baseado no perfil de crédito do novo proprietário. Se o comprador não conseguir comprovar renda suficiente para as parcelas, o banco pode diminuir o valor da parcela mas aumentar a duração do financiamento. Por outro lado, se o novo comprador tiver um perfil de crédito melhor que o proprietário original, o banco pode aumentar o valor da parcela e diminuir a duração do financiamento. Essas mudanças tornam a negociação mais segura e justa para ambos os lados.

Um contrato de gaveta é um contrato não oficial, que não é registrado em cartório. Não é recomendado porque não oferece proteção legal adequada. Caso o novo comprador deixe de pagar as dívidas do imóvel, o vendedor original será responsabilizado mesmo tendo apenas um contrato de gaveta em mãos. Para ter segurança jurídica, é fundamental que a compra e venda do ágio seja oficializada em cartório e com anuência da instituição financeira.

Não, o ágio nem sempre gera lucro. Ele pode ser uma solução quando o imóvel se valorizou no mercado, gerando ganho para o vendedor. Porém, em situações onde o imóvel desvalorizou ou o proprietário precisa se mudar urgentemente, o ágio pode ser feito sem lucro, apenas como uma forma de se desfazer do imóvel com agilidade. O importante é analisar o mercado e contar com orientação profissional para determinar se a transação compensa financeiramente.

A transferência da propriedade para o novo comprador só será efetivada após o término completo do financiamento. Até esse momento, o banco ou instituição financeira não atualiza a matrícula do imóvel em nome do novo proprietário. Isso significa que, legalmente, o vendedor original permanece como proprietário até que todas as parcelas do financiamento sejam quitadas, mesmo que o novo comprador esteja pagando as parcelas e utilizando o imóvel.


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