Preço dos imóveis vai subir menos neste ano, dizem representantes do setor

O preço dos imóveis residenciais deve subir em ritmo mais lento em 2022. Momento é oportuno para investidores aproveitarem pechinchas

Por Redação - 02/02/2022 às 17:38
Atualizado: 12/09/2024 às 11:01
Pilhas de moedas dispostas em ordem crescente ao lado de uma pequena maquete de casa de madeira, com um fundo verde desfocado.
  • O setor imobiliário prevê desaceleração nos aumentos de preços em 2022 após forte alta em 2021, pressionado pela inflação e redução do apetite de investidores.
  • A velocidade de vendas das incorporadoras caiu no terceiro trimestre e a Selic em alta elevou juros de financiamento de 6-7% para 9-10% ao ano, reduzindo a demanda.
  • Incorporadoras tendem a reduzir lançamentos e reajustes de preços em 2022, priorizando projetos com margens maiores diante do esgotamento do orçamento dos consumidores.
Resumo supervisionado por jornalista.

Após um ano difícil para o comprador de imóvel, 2022 deve trazer um alento. O preço dos imóveis residenciais tende a subir em um ritmo um pouco mais lento daqui em diante, isso na comparação com os aumentos registrados desde o início da pandemia. 

De acordo com um relatório produzido pelo BBI, braço de investimentos do banco Bradesco, após um forte alta no preço dos imóveis em 2021, o apetite do investidor pode estar chegando ao fim, pressionado também pela inflação que corrói o orçamento familiar, além das incertezas sobre os rumos do país. 

A velocidade de vendas dos imóveis pelas incorporadoras caiu no terceiro trimestre – o que sinaliza maior dificuldade das empresas para escoar as unidades em obras. E isso deve forçar as companhias a reduzirem os repasses para o comprador, seja ele consumidor final ou investidor de mercado.

Bolso exaurido 

“A sensação é que os aumentos de preços estão batendo no teto. As vendas já não estão respondendo tão bem e isso sugere que o setor precisa de um respiro”, diz o analista de construção civil do Bradesco BBI, Bruno Mendonça. “Em prazo curtíssimo, os preços não parecem ter combustível para continuar subindo na velocidade que vinham.”

Sem espaço para aplicar novos reajustes, as incorporadoras tendem a reduzir lançamentos em 2022. Deve ser dada prioridade a projetos com margens maiores, diz Mendonça.

Alta mais moderada

No mercado de compra e venda de imóveis, os especialistas também esperam alta mais moderada nos preços dos imóveis daqui em diante. Corretores e executivos do ramo  constataram ajustes significativos no valor do metro quadrado dos lançamentos no quarto trimestre de 2021. Em Pinheiros e Moema, os preços praticados estão na ordem de R$ 18 mil. Até o começo do ano, eram R$ 14 mil ou R$ 15 mil, por exemplo.

“Não adianta o incorporador manter o discurso de que precisa repassar o aumento dos custos se o bolso dos consumidores não consegue acompanhar”, diz o executivo de uma grande empresa do ramo. “Não estamos vendo nenhuma categoria de trabalhador com reajustes relevantes na renda, então a tendência é o bolso não acompanhar mesmo.”

Os porquês da alta

O motivo para a alta dos preços imobiliários observada principalmente em 2021 foi a disparada nos custos dos materiais de construção, especialmente o aço e o cimento.

Essa alta foi observada em todo o mundo, e aqui no Brasil levou as incorporadoras a repassar a diferença para os consumidores, com o objetivo de preservar suas margens de lucro.

Com isso, o Índice Nacional dos Custos de Construção (INCC) subiu 14,7% em 12 meses até novembro. 

Repasses ao investidor

Aumentar os preços ao consumidor foi visto como uma estratégia positiva pelos incorporadores, e isso foi possível porque o mercado vivia um momento bastante favorável, com taxas de financiamentos praticados a valores muito abaixo da média histórica. 

Só que o cenário mudou com a alta da Selic, como observado nesta matéria aqui

Até poucos meses atrás era possível tomar empréstimo para aquisição da casa própria com juros de 6% a 7% ao ano, enquanto hoje esse patamar está em torno de 9% a 10% ao ano.

Isso levou a um movimento de devolução de imóveis por parte dos compradores, o que por um lado acarretará pechinchas para o investidor com bolso para aquisições, mas que, por outro, vai exigir algumas ações dos incorporadores para equilibrar um pouco os estoques.

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Dúvidas mais comuns

Os preços dos imóveis residenciais subiram significativamente em 2021 principalmente devido à disparada nos custos dos materiais de construção, especialmente aço e cimento, fenômeno observado em todo o mundo. As incorporadoras repassaram esses aumentos de custos aos consumidores para preservar suas margens de lucro, estratégia que foi viável porque o mercado estava favorável, com taxas de financiamento muito abaixo da média histórica, variando entre 6% e 7% ao ano.

Em 2022, o mercado imobiliário apresentou um desempenho mais moderado comparado a 2021. Apesar da queda de 8% no volume de unidades lançadas em São Paulo, observou-se crescimento de 5% nas vendas, com importante participação do segmento econômico. A velocidade de vendas das incorporadoras caiu no terceiro trimestre, sinalizando maior dificuldade para escoar as unidades em obras.

Os preços dos imóveis tendem a subir em ritmo mais lento em 2022 porque o apetite do investidor está chegando ao fim, pressionado pela inflação que corrói o orçamento familiar e pelas incertezas sobre os rumos do país. Além disso, as vendas não estão respondendo tão bem, o bolso dos consumidores está exaurido e não acompanha os reajustes, forçando as incorporadoras a reduzirem os repasses para os compradores.

A alta da Selic impactou significativamente o mercado imobiliário ao elevar as taxas de financiamento de aproximadamente 6-7% ao ano para cerca de 9-10% ao ano. Esse aumento nas taxas de juros levou a um movimento de devolução de imóveis por parte dos compradores, criando oportunidades de negociação para investidores com capital disponível, mas exigindo ações das incorporadoras para equilibrar os estoques.

Sem espaço para aplicar novos reajustes de preços, as incorporadoras tendem a reduzir lançamentos em 2022 e dar prioridade a projetos com margens maiores. Além disso, precisam aceitar que o bolso dos consumidores não consegue acompanhar os aumentos de custos, já que não há reajustes relevantes na renda dos trabalhadores, forçando-as a buscar equilíbrio entre custos e demanda.

A valorização dos imóveis residenciais foi a segunda maior dos últimos 11 anos em 2025, sendo inferior apenas ao resultado de 2024. Em 2025, o Índice FipeZap mostrou um aumento de 6,22% de janeiro a novembro nos preços dos imóveis no país, com o preço médio do metro quadrado ficando em R$ 9.585, crescimento acima da inflação do período.

O Índice Nacional dos Custos de Construção (INCC) subiu 14,7% em 12 meses até novembro de 2021, refletindo a disparada nos custos dos materiais de construção. Esse aumento significativo foi o principal fator que levou as incorporadoras a repassar a diferença para os consumidores, impactando diretamente os preços dos imóveis residenciais no mercado.

As perspectivas indicam que o mercado imobiliário deve continuar com crescimento moderado, com a valorização dos imóveis tendendo a acompanhar ou superar a inflação. A tendência é que os preços se estabilizem em patamares mais realistas, considerando a capacidade de pagamento dos consumidores e as condições de financiamento, criando oportunidades tanto para compradores quanto para investidores com paciência.


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