O que é o FGTS futuro e como ele pode facilitar o financiamento imobiliário

Iniciativa pode reduzir renda necessária para a compra da casa própria, bem como possibilitar financiamento com entrada e juros menores

Por Redação - 29/05/2023 às 17:38
Atualizado: 02/10/2024 às 11:22
Um homem entrega uma miniatura de casa, chaves e contrato para outra pessoa.
  • O FGTS Futuro permite que depósitos futuros do Fundo de Garantia sejam utilizados para aumentar a capacidade de pagamento em financiamentos imobiliários, ampliando o acesso ao crédito para famílias de baixa renda.
  • O mecanismo funciona como empréstimo consignado, permitindo que o valor mensal do FGTS (8% do salário) seja adicionado ao limite de 30% da renda para composição da parcela, aumentando o valor máximo financiável.
  • A implementação pode reduzir juros e entrada exigida, mas expõe o trabalhador ao risco de arcar com a parcela total em caso de demissão, já que o saldo do FGTS fica bloqueado para o financiamento.
Resumo supervisionado por jornalista.

Um dos principais entraves para quem deseja financiar um imóvel é compor a renda necessária para que o empréstimo seja aprovado. O FGTS Futuro, iniciativa que está prestes a ser colocada em prática, pode ajudar a resolver esse problema.

A ideia é que os depósitos a serem recebidos pelo trabalhador no Fundo de Garantia sejam reservados para o pagamento do financiamento, diminuindo a renda total necessária para conseguir a aprovação.

Além de viabilizar o acesso aos financiamentos imobiliários, o FGTS Futuro pode reduzir o valor de entrada para aprovação do empréstimo, bem como os juros cobrados pelas instituições financeiras.

Neste texto, explicamos como essa modalidade pode ajudar os brasileiros a realizarem o sonho da casa própria.

Navegue pelo conteúdo:

O que é o FGTS Futuro?

O FGTS Futuro é um mecanismo que possibilita a utilização dos depósitos esperados pelo empregado para os próximos meses ou anos na composição do pagamento do financiamento imobiliário.

Leia mais: Confira o passo a passo para financiar um imóvel

A ideia é a de que os recursos possam ser usados para amortizar o saldo devedor ou ajudar a compor parte das parcelas a serem pagas.

A princípio, o FGTS Futuro seria disponibilizado para cerca de 60 mil famílias, que se enquadram na faixa 1 do programa Minha Casa Minha Vida e recebem até dois salários mínimos, mas seu uso poderia se estender no futuro para famílias que ganham até R$ 8 mil mensais.

A possibilidade foi aprovada em 2022 e publicada na portaria 2.745, além de ampliada na lei 16.620, que recriou o Minha Casa Minha Vida.

Agora, precisa ser regulamentada e implementada e deve ser tema da próxima reunião do conselho do FGTS, em março.

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Como deve funcionar o FGTS Futuro?

Na prática, o uso do FGTS Futuro funcionaria como um empréstimo consignado, com o objetivo de ampliar a capacidade de pagamento do trabalhador.

Em geral, as instituições financeiras limitam o valor da parcela a até 30% da renda mensal da família. Para uma renda de R$ 2 mil, por exemplo, o valor máximo da parcela seria de R$ 600, considerando que não existam outras dívidas ativas. Isso acaba restringindo as possibilidades de financiamento das famílias mais pobres.

Com o FGTS Futuro, o valor do depósito a ser feito no Fundo de Garantia poderá ser usado para aumentar o valor da parcela possível, ampliando assim as chances de financiamento.

Imaginemos que, dessa renda de R$ 2 mil, o empregador deposita 8% no FGTS, ou seja, R$ 160 mensais.

Essa renda poderá ser colocada como garantia para complementar o limite de 30% (R$ 600), ou seja, a família passa a poder ter parcelas de até R$ 760, o que abre um maior leque de opções para financiar.

O valor colocado como garantia ficaria travado para o uso no financiamento, indo direto para o banco após o depósito do empregador.

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FGTS Futuro poderia baixar juros e valor da entrada

Há ainda outras possíveis contribuições indiretas do uso do FGTS Futuro para facilitar o acesso ao financiamento imobiliário, como:

  • Redução dos juros: os juros cobrados por qualquer instituição financeira ao fazer um empréstimo levam em conta o nível de risco daquela operação. Ao garantir, via FGTS Futuro, ao menos o pagamento de parte da parcela, o trabalhador reduz o próprio risco de inadimplência, o que pode permitir ao banco oferecer condições mais favoráveis;
  • Diminuição do valor da entrada: ao ampliar o valor máximo da parcela, o FGTS Futuro amplia também o valor que pode ser financiado, o que poderia reduzir a entrada exigida, a depender da política de cada instituição financeira.

No caso do uso do FGTS Futuro para amortizar ou liquidar o financiamento, a tendência é a de que os recursos fiquem bloqueados até a quitação.

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Quais as regras do FGTS futuro?

Para usar o FGTS Futuro, será necessário, a princípio, ter renda de até 2 salários mínimos, ter carteira assinada e estar fazendo um novo contrato de financiamento imobiliário.

Algumas regras também já estão praticamente definidas, embora ainda possa haver mudanças na fase de implementação:

  • Cabe somente ao trabalhador decidir pelo uso do FGTS Futuro;
  • O saldo do Fundo de Garantia será bloqueado em qualquer circunstância, inclusive em caso de rescisão;
  • O banco deverá informar as condições do financiamento com ou sem a utilização do FGTS Futuro;
  • A instituição financeira deverá informar todas as condições necessárias ao financiamento, como valor do imóvel, capacidade de pagamento da família, volume dos depósitos mensais, renda mensal, etc.;
  • A capacidade de pagamento momentânea é a base da análise de risco feita pelo banco. Se as condições diminuírem, o agente financeiro pode oferecer uma interrupção de 6 meses no pagamento da parcela ou fazer outras propostas para recuperar o crédito;
  • O Fundo Garantidor da Habitação Popular será reativado para arcar com uma potencial inadimplência devido ao desemprego.

Riscos de utilizar o FGTS Futuro

Apesar de o FGTS Futuro se apresentar como uma opção que facilita a aprovação de um financiamento imobiliário, seu uso também traz alguns riscos para o trabalhador. Os principais são:

  • Em caso de demissão, ele terá de arcar com a parcela total. No exemplo que citamos, em que o trabalhador pagava R$ 600 e os R$ 160 restantes vinham do FGTS, ele teria de pagar os R$ 760 caso fosse demitido e perdesse o direito aos depósitos do empregador;
  • Além disso, os valores que o trabalhador receberia caso fosse despedido já estaria bloqueado para o pagamento das parcelas, ou seja, ele não terá direito a sacar esse montante.

Leia também: Saiba como utilizar o FGTS para amortizar seu financiamento de forma eficiente

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Dúvidas mais comuns

O FGTS Futuro é um mecanismo que permite ao trabalhador utilizar os depósitos esperados no Fundo de Garantia para os próximos meses ou anos como parte do pagamento do financiamento imobiliário. Funciona como uma garantia extra de crédito, permitindo que o valor mensal depositado pelo empregador seja usado para aumentar a capacidade de pagamento e ampliar as chances de aprovação do financiamento habitacional.

O FGTS Futuro funciona como um empréstimo consignado que amplia a capacidade de pagamento do trabalhador. Os depósitos mensais do FGTS (geralmente 8% da renda) podem ser utilizados para complementar o limite de 30% da renda mensal permitido pelas instituições financeiras. Por exemplo, com renda de R$ 2 mil e depósito de R$ 160 em FGTS, a parcela máxima aumenta de R$ 600 para R$ 760, abrindo mais opções de financiamento.

Para usar o FGTS Futuro, é necessário ter renda familiar mensal de até R$ 3.200,00 (inicialmente até 2 salários mínimos), ser trabalhador com carteira assinada e estar realizando um novo contrato de financiamento imobiliário no âmbito do programa Minha Casa Minha Vida. A decisão de usar o FGTS Futuro é exclusivamente do trabalhador.

Os juros cobrados pelas instituições financeiras levam em conta o nível de risco da operação. Ao garantir, via FGTS Futuro, o pagamento de pelo menos parte da parcela, o trabalhador reduz seu próprio risco de inadimplência. Isso permite ao banco oferecer condições mais favoráveis e taxas de juros menores, beneficiando o mutuário com um financiamento mais acessível.

O FGTS Futuro pode ser utilizado durante até 120 meses, o equivalente a 10 anos. Durante esse período, os depósitos mensais feitos pelo empregador no FGTS são direcionados para o pagamento das parcelas do financiamento imobiliário, ficando bloqueados para saque em qualquer circunstância, inclusive em caso de rescisão contratual.

O principal risco é que em caso de demissão, o trabalhador terá de arcar com a parcela total do financiamento, já que perderá os depósitos do empregador. Além disso, os valores que seriam recebidos em caso de rescisão já estarão bloqueados para o pagamento das parcelas, impedindo o saque desse montante. O Fundo Garantidor da Habitação Popular foi reativado para cobrir potenciais inadimplências por desemprego.

Ao ampliar o valor máximo da parcela mensal permitida, o FGTS Futuro aumenta também o valor total que pode ser financiado. Isso permite reduzir a entrada exigida para a aprovação do financiamento, a depender da política de cada instituição financeira. Dessa forma, famílias com renda mais baixa conseguem acessar o financiamento imobiliário com uma entrada menor.

Ao aderir ao FGTS Futuro, o valor mensal depositado pelo empregador não vai para a conta do FGTS tradicional, mas sim diretamente para o pagamento da parcela do financiamento habitacional. O saldo do Fundo de Garantia fica bloqueado em qualquer circunstância, inclusive em caso de rescisão. Porém, os valores depositados pela empresa são contabilizados para o cálculo da multa por rescisão sem justa causa.


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