Co-motherhood: mães solo que dividem a casa e a criação dos filhos

Conheça o movimento de mulheres que vivem em comunidade e criam suas redes de apoio

Por Redação - 31/03/2019 às 17:03
Atualizado: 22/05/2024 às 14:51
Co-motherhood - Mães solo que vivem em comunidade
  • Mães solo que dividem casa e responsabilidades parentais formam redes de apoio comunitárias, reduzindo despesas e ampliando tempo para objetivos profissionais e pessoais.
  • O co-motherhood promove sustentabilidade ao compartilhar recursos domésticos e oferece às crianças estabilidade emocional através de convivência com múltiplos adultos responsáveis.
  • A dinâmica funciona quando há sintonia entre moradores, regras claras sobre espaços compartilhados e disposição coletiva para acolher famílias em transição.
Resumo supervisionado por jornalista.

Ser uma mãe solo é ter um dia a dia repleto de desafios. E quem pode compreender mais esse momento de vida do que outra mulher que passa pela mesma situação? Esse questionamento gerou um movimento chamado co-motherhood. Já ouviu falar? São mães solo que decidem morar juntas pra formar uma rede de apoio. Elas dividem as despesas de uma casa, o cotidiano e o cuidado com as crianças.

Com uma rotina parecida, essas mulheres conseguem mais suporte pra criar seus filhos. Além disso, por conta da rede de apoio, conseguem se dedicar mais a objetivos profissionais e pessoais. E alcançam uma independência maior que, em muitos casos, especialmente para mulheres mais jovens com filhos, não é tão simples de conseguir.

Co-motherhood: moradia e sustentabilidade

Dividir a casa com outra mulher e seus filhos pode ser muito mais que dividir a maternidade. É viver um conceito de comunidade mais sustentável. Essa nova “família” também oferece a base, a segurança e a estabilidade que as crianças precisam. Foi o que aconteceu com Anne Trummer (foto abaixo). Ela sempre dividiu casa em São Paulo antes mesmo de ser mãe.

Co-motherhood - Mães solo que vivem em comunidade

“Morar sozinha nunca foi uma vontade. Primeiro porque não acho nem um pouco ecológico. Cada um na sua casa, com seu liquidificador, sua máquina de lavar. São muito maiores os benefícios quando as coisas são compartilhadas”, afirma Anne, que é consultora de governança dinâmica e bióloga.

Comunidade em São Paulo

Quando se separou, Anne foi morar na casa da mãe, numa cidade de interior, com o filho Francisco – então com 2 anos e meio -, a quem chama carinhosamente de Didi. Em 2016, precisou voltar a morar em São Paulo. E foi quando surgiu a oportunidade de dividir uma casa com cinco adultos e uma criança.

“A casa tem cinco quartos e somos em cinco adultos. Cada um tem o seu quarto e dorme com a sua própria cria”, brinca Anne.

Mariano, o pai solo da casa, tinha uma filha, a Amaya, com 3 anos de idade. Ela já convivia bem com todos. E Anne achou que poderia ser interessante morar por lá e juntar as duas crianças. Em menos de três meses, surgiu uma vaga na casa e a possibilidade de outra mãe, com dois filhos, ocupar o lugar. Ambas as crianças tinham idades próximas das que já moravam ali.

“Nossa dinâmica na casa com as crianças já era muito boa. Refletimos que se alguém podia acolher essa mulher, com dois filhos e recém-separada, era a gente”, revela Anna, que já havia contado com o senso de coletividade dos moradores da casa meses antes, quando passou por uma situação semelhante.

Nova moradora, novas crianças

A publicitária e astróloga pernambucana Circe Ferrario chegou à casa em outubro de 2016, junto com seus filhos Clarice e Caetano (foto principal da matéria). E estão por lá com Anne e Didi até hoje. Já Amaya foi morar com a mãe em Campinas e passou a frequentar bem menos a casa.

As mães procuram organizar a rotina de forma que eles possam ir pra casa dos pais no mesmo período, no melhor estilo co-motherhood.

“A gente se apoia muito. As crianças comem juntas, brincam juntas e dão muito menos trabalho quando estão todos em casa do que quando estão sozinhos. É uma dinâmica deliciosa”, diz Anne.

Regras da casa

Como a casa tem outros adultos sem filhos, Anne conta que uma regra bem rígida com as crianças é não deixar os brinquedos espalhados pela casa. Também é pedido aos moradores um pouco de compreensão quando aquele prato ou copo fica um pouco mais de tempo na pia.

“Às vezes, a gente sai correndo pra dar banho em criança. Todos entendem”, diz Anne.

No fim das contas, a harmonia e a sintonia entre os moradores faz com que tudo funcione muito bem nessa experiência de co-motherhood.

Convivência harmônica

Co-motherhood - Mães solo que vivem em comunidade - Crianças

A convivência das crianças com os adultos sem filhos é bem harmônica. Eles observam como as mães educam e procuram entrar no mesmo ritmo.

“Agora tem um morador novo. Um argentino que mora há pouco tempo no Brasil. E as crianças estão aprendendo espanhol. Quando um dos moradores saiu, o Pedroca, como as crianças o chamavam, foi um baque. Todos eram muito próximos dele, mas eles entendem que esse é o fluxo da casa”, conta.

A experiência entre Anne e Circe deu tão certo, que elas não têm a intenção de morar separadas.

“Eu e a Circe falamos que o Cafofo (apelido da casa) pode se desfazer, mas a gente vai junto”, brinca Anne.

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Dúvidas mais comuns

Co-motherhood é um movimento onde mães solo decidem morar juntas para formar uma rede de apoio mútua. Elas dividem as despesas da casa, o cotidiano e as responsabilidades de cuidado com as crianças, criando uma comunidade que oferece segurança, estabilidade e suporte emocional para toda a família.

Os principais benefícios incluem a divisão de despesas, redução da sobrecarga emocional e física das mães solo, maior dedicação a objetivos profissionais e pessoais, e uma rede de apoio que proporciona mais independência. As crianças também se beneficiam ao conviver com outras crianças, brincar juntas e receber atenção de múltiplos adultos na casa.

A dinâmica varia conforme os moradores, mas geralmente envolve a divisão de quartos individuais, compartilhamento de espaços comuns como cozinha e sala, e organização conjunta da rotina das crianças. As mães coordenam períodos para que as crianças visitem seus pais biológicos, e todos os moradores contribuem para manter a harmonia através de regras básicas e compreensão mútua.

As crianças convivem de forma harmônica, brincando juntas, comendo juntas e recebendo cuidado de múltiplos adultos. Elas aprendem com os moradores sem filhos, que observam como as mães educam e entram no mesmo ritmo. Essa convivência oferece às crianças uma experiência de comunidade e as ajuda a compreender diferentes perspectivas e até aprender novos idiomas.

Co-motherhood promove um conceito de comunidade mais sustentável ao compartilhar recursos como casa, eletrodomésticos e utensílios, reduzindo o consumo individual. Essa prática evita que cada pessoa tenha sua própria casa com seus próprios bens, diminuindo o impacto ambiental e promovendo um uso mais eficiente dos recursos naturais.

As regras variam conforme a dinâmica de cada casa, mas geralmente incluem organização dos brinquedos em áreas específicas para não incomodar outros moradores, compreensão com pequenas desordens do dia a dia (como pratos na pia), e respeito aos espaços individuais de cada morador. A harmonia e sintonia entre os moradores é fundamental para que tudo funcione bem.

Ao dividir despesas e responsabilidades de cuidado com as crianças, as mães solo conseguem dedicar mais tempo e energia a objetivos profissionais e pessoais. A rede de apoio reduz a sobrecarga individual, permitindo que elas tenham mais liberdade para buscar desenvolvimento profissional e pessoal, alcançando uma independência maior do que conseguiriam sozinhas.

O co-motherhood pode ser tanto permanente quanto temporária, dependendo das circunstâncias e vontade das mães envolvidas. Alguns casos mostram que as mães desenvolvem laços tão fortes que preferem continuar morando juntas indefinidamente, enquanto outras podem usar essa solução como um período de transição até conseguir estabilidade financeira e emocional para morar independentemente.


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