- Apartamentos de 1 dormitório apresentam valorização de preço por metro quadrado superior à de unidades maiores em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, impulsionada pelo retorno da demanda por imóveis bem localizados próximos a polos de emprego.
- A mudança ocorre após período de pandemia quando inquilinos buscavam imóveis maiores e afastados, revertendo para preferência por unidades compactas em regiões com acesso facilitado a transporte público e centros econômicos.
- Imóveis compactos representam oportunidade de investimento com alta liquidez, valores absolutos menores e potencial de retorno financeiro acelerado, atendendo público diverso de jovens profissionais, estudantes e investidores de aluguel por temporada.
Uma nova tendência no mercado imobiliário é a de apartamentos com apenas um dormitório. Segundo um levantamento do QuintoAndar, o crescimento do preço do metro quadrado para aluguel desses imóveis é maior do que o de unidades com dois ou mais quartos em diversas capitais, como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Porto Alegre, impulsionado pelo aumento da demanda.
Isso acontece a partir de uma mudança de comportamento dos inquilinos. Durante o período da pandemia e depois com a maior adesão ao home office, houve um movimento em direção a imóveis maiores, muitas vezes mais afastados dos grandes centros. Nos últimos meses, porém, a busca tem se concentrado em regiões bem localizadas, próximas de locais de trabalho.
Thiago Reis, gerente de Dados do Grupo QuintoAndar, explica que essa reconfiguração do mercado ajudou a impulsionar a valorização dos apartamentos menores. “As pessoas voltaram a procurar imóveis perto dos grandes centros e polos de emprego, com acesso facilitado ao transporte público, o que fez a demanda por apartamentos menores (e mais em conta) crescer. Isso acabou impulsionando o preço dos studios”, afirma.
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Cidades onde a valorização se destacou
Os números mostram que essa tendência não é pontual e tem ocorrido em diferentes regiões do país. Em São Paulo, por exemplo, em janeiro de 2025, a alta acumulada em 12 meses para apartamentos de 1 dormitório foi de 9,77%, o maior percentual registrado desde julho de 2023. A Vila Olímpia, na Zona Sul, é um exemplo desse movimento. Com uma grande oferta de microapartamentos, o preço do metro quadrado na região ultrapassou os R$100, tornando-se o mais caro da cidade e o segundo maior do Brasil, atrás apenas do Leblon, no Rio de Janeiro. O Centro do Rio, por sua vez, concentra uma grande oferta de imóveis pequenos e o metro quadrado na região valorizou quase 20% em um ano.
Já em Belo Horizonte, o mercado imobiliário da capital mineira tem um diferencial importante, pois há poucos apartamentos compactos, o que impulsiona ainda mais a valorização desses imóveis. Em bairros como Savassi e Centro, a demanda tem sido alta, tornando-os alguns dos mais procurados da cidade.
Por que os imóveis menores são oportunidades?
A alta demanda pode ser explicada, portanto, por alguns fatores. Apesar da alta proporcional, por vezes os valores absolutos são menores. Além disso, há alta liquidez, porque esses imóveis atendem a um público amplo, desde jovens profissionais em início de carreira e estudantes, até investidores interessados em aluguéis por temporada. Esse cenário indica que os imóveis compactos continuarão sendo uma alternativa interessante no mercado imobiliário, seja para quem busca um lugar para morar ou para quem quer investir.
Isso porque a valorização dos imóveis de um dormitório não é apenas um reflexo das mudanças no comportamento do mercado, mas também representa uma oportunidade de retorno financeiro mais rápido para venda e aluguéis. Além disso, essa tendência reforça o papel dos imóveis compactos na reconfiguração das cidades. À medida que profissionais e estudantes voltam a priorizar mobilidade e acesso a polos econômicos, cresce a necessidade de unidades menores e bem localizadas. Para proprietários, isso significa uma oportunidade estratégica de negócio, de disponibilizar seus imóveis no mercado em um período de valorização.
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Por Caio Melo, “Meio”
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